Cicatriz, perdão e gratidão!




Passando para compartilhar uma reflexão que só vim perceber há pouco tempo. Tenho uma cicatriz desde os 12 anos de idade, quando fui acometida por uma crise grave de apendicite, que acabou supurando e quase “parti”. Cheguei a pesar na época 26 kg.


Me lembro de que os meus pais sofreram muito, pois foi final de ano e foi complicado encontrar médicos no hospital, havia muitos estagiários que pareciam não estar ainda preparados para o meu caso. Confesso que eu não tive percepção de que era tão sério, embora tenha sofrido muito. Foi muito ruim, pois sentia fortes dores, vomitava e tive diarreia por vários dias.


Não encontravam um diagnóstico, faziam RX, mas não havia certeza do que poderia realmente ser, até que um médico descobriu o que era, já no último instante, eu acho. Veio então a cirurgia de emergência, que salvou a minha vida e me deixou uma cicatriz, que considero muito feia.


Uma marca de um renascimento


Enfim, conto tudo isso para falar sobre o que acho mais interessante dessa história, que há pouco tempo percebi. Convivo com uma cicatriz muito feia dessa cirurgia, tentei a minha vida toda ignorá-la. Pensei muitas vezes em fazer uma plástica e retirá-la, mas ainda não tive coragem (rsrs).


O mais interessante é que acabei me dando conta de que é por causa dela que fui salva e não “parti” naquele momento. Não é incrível? Isso me faz pensar e fazer analogia com o perdão, com a superação. Devemos pensar que, mesmo quando sofremos algo muito ruim, triste, pela maldade, negligência, inconsequência ou mesmo falta de amor de alguém, não devemos carregar “pesos” sobre os quais não temos culpa de estarem conosco.


A marca fica, não temos como apagar o que nos fizeram de mal, mas é possível buscar maneiras de olhar para o que passamos de forma diferente. É aceitação com movimento, não simples conformismo, mas com o sentido de jogar fora “pesos” que não nos pertence, que não fizemos nada para eles estarem nos nossos ombros, nos fazendo mal. É deixar de carregá-los e ficarmos bem conosco.


Lembrança para a vida toda


Minha cicatriz está aqui comigo, acho que cada dia mais feia, rsrs mas não dói, só é muito feia. Por outro lado, consegui vê-la de uma forma diferente, tendo um novo olhar em relação a ela. Acredito que o perdão ou a superação é assim, o que foi ruim deixa marcas, marcas feias, mas é possível olhar de maneira diferente. E não passar a vida toda carregando “pesos” que nada fizemos para tê-los.


Voltando à minha cicatriz, só pensava no tanto que passei mal, o tanto que minha mãe sofreu ali comigo, vários dias no hospital e ainda ter que ficar com uma cicatriz tão feia. Mas, quando consegui olhar para essa cicatriz e saber que foi através dela que pude viver e estou viva, é demais, incrível! Pois a vida é o que podemos ter de maior valor.


Gratidão é a palavra!


Chego, então, à conclusão de que devo ser muito grata a ela, sim, à cicatriz, que é a marca que trago desse momento difícil da minha vida, onde muita gente já acreditava que eu não sobreviveria, imagina! Na época eu não pensei que pudesse morrer, eu sempre acreditei que iria melhorar, mesmo me sentindo tão mal e com tanta dor. Lembro-me da minha mãe ali comigo, buscando meios para que eu melhorasse e pudéssemos voltar para casa.


Passamos o Ano-Novo no hospital, só fui operada na madrugada do dia 4 de janeiro. Que bom que fui operada, que um anjo, instrumento de Deus, que nem sei quem é, pôde deixar aquela cicatriz em mim e tirar todo o mal que me afligia. Sou muito grata.


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