O CUIDAR pode ocasionar sentimentos contraditórios.




Ninguém, ou quase ninguém, escolhe ser cuidador (informal/familiar). De repente, acontece e um familiar necessita de cuidados. Às vezes, provisório e outras vezes, de forma permanente. A família tende a se desestruturar, um conflito de sentimentos. São vários aspectos a serem vistos, acolhidos, decididos e resolvidos. Com isso, muitas vezes surgem desentendimentos entre os membros da família, o que quase sempre se resume em medos: medo do desconhecido, medo de não saber lidar com a situação, medo de não dar conta, medo de ficar sem o familiar. Pode ser o medo que paralisa ou o medo que exige.


Amor, ódio, alegria, sofrimento, aceitação, rejeição.


Lembrando que são vários os pontos que devem ser vistos logo de cara: práticos, emocionais, profissionais, financeiros e que exigem muitas obrigações e afazeres. Muitas responsabilidades, além de ter que lidar com a auto cobrança, ainda pode surgir a cobrança de outros, que na maioria das vezes não tem a real noção de como é o dia-a-dia dessa empreitada. Mas com certeza todos da família terão como ajudar e contribuir. Cada um à sua maneira, sendo que todos têm habilidades e são munidos de capacidades para cooperar e ajudar em alguns ou todos os momentos.


Quando surge essa situação do cuidar, um novo arranjo familiar já vai aparecendo e logo toma uma forma completamente diferente do que vinha sendo delineado, planejado. A dinâmica da família muda completamente, novas estratégias devem ser montadas para que o necessário seja feito da melhor forma possível, com todo o cuidado para manter o bem-estar de quem necessita e também para não sobrecarregar ninguém. Alcançar os ajustes necessários para que seja desenvolvido e cumprido o desafio que se apresenta não é nada fácil, mas é possível criar e descobrir formas para resolvê-lo e torná-lo um pouco mais leve. Nesse processo, vários sentimentos contraditórios vão surgir e é importante estar preparado para lidar com amor, raiva, alegria, sofrimento, aceitação, rejeição e por aí vai.


São muitas perguntas e nós devemos procurar as respostas!


Como já mencionado, toda a família, à sua maneira, será capaz e deverá ter o espaço para contribuir, cooperar e buscar fazer o seu melhor. Como fazer? O que fazer? Para que fazer? Tantas perguntas que parecem não ter respostas. É preciso avaliar, perceber e se comunicar da melhor forma. Essa comunicação precisa ser treinada, pois deve ser assertiva e clara para saber o que verdadeiramente é necessário fazer. O que cada um pode se comprometer a fazer, aceitar que uns vão fazer mais e outros menos e daí vai depender do gerenciamento das demandas. O importante é saber que se todos se proporem a fazer o melhor, o melhor será feito. Mais importante ainda é que foquem em si e não no outro, ou seja, o que posso e consigo fazer? Cada um se responsabilizando por si, por seus próprios resultados para cuidar de quem necessita.


A primeira fase dessa empreitada é de aprendizados e ajustes para que se possa alinhar as necessidades da pessoa cuidada e esclarecer o que seria a cooperação de cada um, no que cada um pode e vai contribuir. Isso não é nada simples, nem fácil e às vezes pode ser sofrido, mas é possível encontrar estratégias para que fique mais leve essa situação que pode se revelar muito pesada. Sim, é muito possível, pois se cada familiar se propor a fazer o seu melhor para contribuir para o bem-estar de quem será cuidado e todos mantendo a união e o desejo de fazer o melhor, o melhor será feito.


Não é nada fácil pedir e aceitar ajuda.


Pensar em cuidar da “dor”, das incertezas de quem precisa cuidar de um familiar, que será o cuidador principal, é difícil, pois ele pode se sentir só e até sem saber ele pode não estar permitindo ser ajudado ou não consegue dizer qual a ajuda precisa e não é capaz de perceber isso, fazendo com que ele sofra. É muito comum as pessoas terem dificuldades de pedir e aceitar ajuda. Assim, é necessário estar atento para mostrar para esse cuidador que ele não está sozinho. Às vezes a comunicação tende a ficar difícil e o entendimento fica complicado e devemos estar atentos, pois o risco de adoecimento para esse cuidador é enorme.


Compete a toda família ficar atenta e procurar desenvolver o amor, a aceitação, o perdão, a empatia, a gratidão, a esperança, a confiança, a responsabilidade e assim o melhor será feito pelo o familiar que necessita de cuidados e ao mesmo tempo quem se dispuser a cooperar se sentirá bem por ter ou estar contribuindo. Lembrando que qualquer pessoa, a qualquer momento da vida, pode precisar ser cuidada. É difícil cuidar e é difícil se permitir ser cuidado, mas é possível encontrar formas para ter leveza e gratidão e obter sucesso nesse desafio. Procuremos perceber que são valiosos aprendizados .