O cuidado com um familiar idoso pode ser feito de maneira mais leve!




Cuidar de um ente querido, é sempre um grande desafio e responsabilidade de todos os familiares. É bem comum que nesse processo alguns cooperem e contribuam mais que outros. Trabalhar a aceitação é extremamente importante para não se deixar levar por discórdias e desavenças. O enfrentamento desse desafio requer união, disposição, boa vontade, sempre levando-se em conta que, se tudo correr bem, a tendência é ficar bem para todos e principalmente para o familiar que necessita de cuidados.


Comunicação é a chave que abrirá as portas!


Percebo como uma ferramenta essencial para cumprir de maneira eficaz esse desafio a boa comunicação, que não é fácil, mas é possível para que se vá melhorando e tornando-o mais leve. Além da boa comunicação, é importante ficar presente no momento presente, ter atenção com quem precisa e está solicitando ajuda, pois muita gente tem dificuldades de pedir ajuda e se permitir ser ajudado. Outra dica seria ser claro e objetivo nas solicitações, o que e como precisa que faça, sem estresse e sem grandes expectativas. Isso pode ser muito possível. Mais uma dica, seria se abrir para compreender as necessidades da pessoa a ser cuidada e também do cuidador principal. A tendência é que aos poucos os membros da família vão percebendo e procurando compreender os limites e as necessidades de cada um. Trabalhar também a aceitação que é muito importante para esse processo. E aqui esclareço: não é a aceitação conformada, resignada, mas aquela que vê a situação e procura verificar o que funciona, o que está dando certo e se propor a fazer o seu melhor. Importante ainda procurar e se esforçar para ouvir o outro, mesmo tendo certeza de que sua opinião é a certa, a melhor. Sempre buscar praticar a escutatória, até para ter argumentos, se necessário for.


O fato é que, esse desafio é muito difícil e complicado para todos os familiares, por outro lado é uma grande oportunidade de aprendizados para um bem viver e todos têm o direito de usufruir dessa oportunidade única. A princípio, parece bastante difícil, mas tudo vai depender do movimento de cada um. E aqui chamo a atenção para que cada um procure focar em si, se observar, se ver, se escutar e não ficar prestando atenção no que o outro fez ou deixou de fazer, sem julgamentos e sem cobranças, pois agindo assim a tendência é que as pessoas entrem numa autodefesa e tendem a não se entenderem, criando um “cabo de guerra” e quem perde na realidade é o familiar que precisa dos cuidados. Também, é obvio que todos têm o direito de fazer suas escolhas, lembrando que, para todas as escolhas, existem ganhos e perdas, consequências positivas e negativas. Todos os familiares têm o direito de usufruir desse legado de aprendizados e crescimento.


Cada um tem o seu papel e os seus limites. Procure respeitá-los!


Geralmente ninguém escolhe ser cuidador familiar e de repente, a pessoa que estava por perto, ajudando nas tarefas, se vê responsável pelos cuidados da outra pessoa. As famílias costumam ter um líder natural e alguns cooperam e contribuem mais com esse líder, outros menos e outros de jeito nenhum, até fingem não perceber que precisam dele. Às vezes, por não acreditar ser capaz de fazer algo que fará diferença para a melhora do familiar que precisa de ajuda. Outras vezes, alguns ficam esperando comandos. Procurar respeitar e aceitar o que cada um é capaz de fazer, de “dar conta”, é de suma importância. Trabalhar a aceitação e a gratidão é ótimo começo, pois assim cada membro que se propor ajudar saberá da sua importância e responsabilidade no processo de encontrar o bem-estar de quem necessita ser cuidado.


Também é importante que os familiares conversem e se organizem da melhor forma. Com o tempo, as “coisas” tendem a se clarear e cada um vai se posicionando ou sendo posicionado. É fundamental que todos saibam que são importantes e necessários nesse processo e que a cooperação mútua, no que for possível, também faz parte do enfrentamento a esse desafio. Cada um com sua habilidade, capacidade e modo de fazer as coisas. Nunca todos farão de um mesmo jeito ou só do jeito que alguém ache que deva ser. É necessário que conversem e busquem se entender da melhor forma, para que ninguém fique sobrecarregado e que a pessoa a ser cuidada seja bem acolhida e amparada. É claro que todos devem procurar fazer o certo, o melhor, aprender com quem tem condições e autoridade para ensinar, mostrar qual a melhor forma de cuidar de quem está necessitando de ajuda.


E, com certeza, se todos buscarem fazer o seu melhor, o melhor será feito e todos acabarão por se sentir bem por estar colaborando, contribuindo para o bem-estar da pessoa que necessita de ajuda. Acabará, também, percebendo seu próprio bem-estar, sem sobrecarga, sem culpas e sem remorsos, mas tendo a certeza de que fez o seu melhor nessa demanda que a vida pode apresentar a qualquer pessoa.


Importante pensar sobre a atenção que se deve ter com o cuidador familiar principal que assume uma imensa responsabilidade e que geralmente as suas demandas raramente são consideradas. E que talvez nem tenha consciência que também precisa de ajuda, de apoio e suporte para realmente dar conta do seu compromisso. Ressalto aqui a importância de se atentar que o bom cuidador deve estar cuidado, ele também tem suas necessidades, precisa dos seus momentos de descanso, de pausas para poder estar bem e levar o bem-estar para quem precisa dele naquele momento.


É difícil a pessoa perceber que ela também precisa de cuidados, que tem seus direitos e merecimentos, inclusive cuidar da própria saúde para estar verdadeiramente bem e ter como levar o bem-estar ao outro. Se esse cuidador não estiver bem, ele não tem como ter paciência, por exemplo se irritando com facilidade e tendendo a se sentir culpado quando perde a paciência. Isso, não é bom para a pessoa cuidada e menos ainda para esse cuidador.


O cuidado com o próximo exige responsabilidades, mas pode ser realizado com mais leveza!


Ser cuidador familiar não é tarefa fácil, pode gerar conflito de sentimentos. É necessário que o cuidador, aprenda a cuidar e gerenciar seus sentimentos, ou seja, ter atenção não só com suas responsabilidades como também a autorresponsabilidades, isso não é egoísmo, mas sim amor ampliado. É sempre bom possibilitar ao outro a oportunidade para ajudar e assim praticar aceitar ajuda.


Importante observar que pesquisas apontam, que por descuido o cuidador muitas vezes “parte” bem antes da pessoa que ele cuida. O bom cuidador precisa se cuidar e estar cuidado.


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