Reflexão sobre a velhice

3 May 2019

 

O envelhecimento é uma progressão gradual da vida, clara e certa. Se envelhece a partir do nascimento, embora seja natural a  tendência de se surpreender e de se imaginar que a velhice se instala de repente, levando-se até à negação de sua proximidade.
 

É difícil a aceitação de se estar velho, principalmente quando se enxerga a velhice como o estereótipo disseminado pela nossa cultura sugerindo  que “velho é lento”, “velho é dependente”, “velho é peso morto”, “velho é careta”, “velho é doente”, “velho é chato”, “velho é surdo”, “velho é inútil” , “velho é coitado”, entre outros adjetivos.
 

Às vezes, e não menos inconveniente, “as qualidades” do velho são levadas ao outro extremo, afirmando-se que “velho é fofo”, “velho é bonzinho”, “velho é educado” ou que “velho é sábio”.
 

Minha percepção é que, na maioria das vezes, são ideias cruéis e irreais. Esses adjetivos, positivos ou negativos, contribuem para a negação da velhice ou pela constatação de que “ninguém quer mesmo ser velho”.

 

Devemos todos entender que “velho” é a pessoa que viveu um processo cronológico de desenvolvimento humano, representando a velhice uma fase do ciclo natural da vida, não se caracterizando em qualquer tipo de patologia.

 

Tomemos consciência de que o “velho” é a pessoa que sempre foi, com suas qualidades, seus defeitos e suas melhoras, ou não, como ser humano.

 

Maria Celia de Abreu, que escreveu o livro “Velhice - Uma nova paisagem” (Ágora, 2017), nos traz algumas reflexões quanto ao envelhecimento do corpo, dentre as quais destaco:

 

  1. Tomar consciência ampliada do corpo. Entrar em contato com todo o seu ser, ideias, sentimentos, aprendizagens, valores, hábitos, pensamentos. Aceitando-o e extraindo dele sabedoria e prazeres, que são formas de protegê-lo de doenças.  
     

  2. A perda de características do próprio corpo, das quais se gostava e se orgulhava, é como um luto e necessita de honestidade e coragem para aceitá-la. A beleza física passa a ser determinada por critérios diferentes.
     

  3. Os movimentos do corpo são comprometidos pelo tempo, talvez pelo o desuso ou mau uso. Para mantê-lo em bom funcionamento, é indicado os exercícios de musculação e exercícios aeróbicos.
     

  4. Manter uma rotina de cuidados médicos e ortodônticos como prevenção.
     

  5. Fazer exercícios para manter a flexibilidade são fundamentais para o bom funcionamento do corpo e da mente, preservando-se a resiliência.

 

Sugere, ainda, a Maria Celia de Abreu cuidar dos músculos do rosto, com ginástica facial, pois o rosto é nosso cartão de visitas. Fazer, também, exercícios fisioterapêuticos para o fortalecimento do assoalho pélvico, para homens e mulheres, pois mesmo que não se tenha problemas de incontinência urinária, é interessante que se aprenda o exercício de fortalecimento desse músculo

 

As sugestões da Maria Celia contribuem para a melhora da disposição do corpo, aumentando a sensação de bem-estar e saúde física e mental.

 

É recomendável que a busca do bem-estar envolva também o idoso. Existem muitos profissionais que podem ajudá-lo, mas é importante que a responsabilidade dos esforços necessários ao alcance desse caminho seja dele próprio.

 

A razão de se trabalhar o corpo é para que a pessoa tenha saúde e autonomia por mais tempo, alcançando-se maior qualidade de vida. É importante que se escolha uma atividade e tente praticá-la com disciplina e de forma rotineira. Não é fácil vencer os desafios do envelhecer, mas é possível a conquista do bem-estar e qualidade de vida do idoso.

 

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